Os dois lados no uso de Redes Sociais.
Nós já estamos cansados de ouvir como as Redes Sociais podem ser úteis para empresas, seja pequena ou grande. Você fala, ouve e espalha sua mensagem e até faz uma promoção, ou quem sabe um sorteio. É comum vermos empresas de todos tamanhos, sites e blogs sorteando prêmios para usuários, sem custo algum para os vencedores.
Acredito que exista vantagem nisso, como a geração do que em marketing é chamado de “Goodwill”, sem tradução direta para o português. Na prática, a idéia é gerar familiaridade, boa vontade e associações positivas à sua marca/produto/blog/personalidade, assim como a relação que esta(e) tem com seu público.
Mas hoje não podemos negar que com as facilidades da Internet, as empresas estão sujeitas a todo o tipo de ação partindo dos usuários e monitorar pode ser a única forma para prevenir uma potencial crise na imagem da empresa, como aconteceu com a rede de fast food Domino’s nos Estados Unidos que, os funcionários publicaram no Youtube videos com eles próprios enfiando queijo no nariz, “contaminando rodelas de frios com gás mortal”, passando produtos nas partes íntimas e depois os colocando em lanches que seriam servidos para os clientes e uma crise de imagem foi deflagrada na empresa.
No caso da Domino’s, a forma de contornar a crise de imagem foi um depoimento no YouTube do presidente da companhia, Patrick Doyle, já que atingiria o mesmo público que viu o vídeo intitulado “Desgusting people of Domino’s”, algo como “Pessoas nojentas da Domino’s”, que foi retirado da Internet.
Depois disso, fizeram um programa também utilizando as redes sociais com o fim de avaliar a satisfação dos clientes e descobriram que as pessoas achavam que os produtos tinhas gosto de papelão. Com isso, a empresa promoveu uma mudança completa na receita de suas pizzas.
Também é necessário definir a forma como as mídias sociais são utilizadas. Uma campanha de marketing da marca de cerveja Skol acabou virando um tiro no pé da empresa. Depois de lançar uma promoção em que consumidores poderiam mandar depoimentos com o tema “Gostoso é rir da vida”, o comediante Ronald Rios lançou um vídeo parodia em que contava casos de alcoolismo como se fossem piadas, mas propositalmente nada engraçados.
O vídeo virou hit e desagradou a cervejaria, que ameaçou o comediante de processo por uso indevido da identidade visual caso não retirasse o vídeo do ar. Apesar de Rios ter acatado o pedido, o caso repercutiu mal na mídia especializada. A internet virou uma grande conversação pública, então levar para situação jurídica é a última alternativa.
O ideal seria adotar uma estratégia semelhante à da empresa de jogos eletrônicos Eletronic Arts. Um defeito no jogo para videogame Tiger Woods PGA Tour 08, que se destacava pelo realismo na simulação de uma partida de golfe, fazia com que o personagem andasse sobre a água para acertar uma tacada.
Um jogador filmou o defeito e o postou no YouTube, sob o título de “Jesus Shots”, que pode ser traduzido como “Tacada de Jesus”, e chamou a atenção de centenas de milhares de internautas, inclusive dos executivos da Eletronic.
Ao invés de adotar ação semelhante à da fabricante da Skol, solicitando a retirada da Internet, a empresa criou um vídeo resposta em que cita o primeiro e, com a ajuda de efeitos especiais, mostra o próprio Tiger Woods andando sobre a água em uma situação real para realizar a tacada. O comercial afirmava que o fato de ele andar sobre a água não era um defeito do jogo, mas sim que o golfista era realmente bom.”, que pode ser traduzido como “Tacada de Jesus”, e chamou a atenção de centenas de milhares de internautas, inclusive dos executivos da Eletronic.
“Partir de um fato negativo e trazer para o positivo, com uma ação diferente, atrai a simpatia dos consumidores. Principalmente na Internet, as corporações tem que agir de forma mais humanizada, mais pessoal, se não fica aquela fama da corporação agindo contra um internauta”, comenta Cervantes.